Fácil é o entusiasmo do primeiro impulso, comum é o desencanto da terceira hora. — Joanna de Ângelis
Na minha cabeça, todo mundo pensa errado sobre mim. Eu erro. Eu erro muito.
Me deu medo botar o nariz naquilo. Nasci pra outra coisa. Na verdade, não queria esperar reconhecimento. As pessoas esperam.
Alma de sorte.
Quero pensar que hoje foi o último gole. E foi doce. Um gole doce que me trouxe um gosto amargo. Eu quero pensar que larguei tudo e que hoje foi o último cigarro. A última noite, o último tiro na cabeça.
a vida pode ser uma merda as vezes.
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Sou sensível ao sol. Percebi isso hoje enquanto andava na rua sem os meus óculos escuros. E prestes a atravessar, percebi que só sei falar de amor. Só escrevo coisas de amor. É tudo uterino. Está tudo amarrado: vermelho e roxo juntos. intensos. Sou alérgico ao amor. E tudo o que eu sinto é só uma gota. É uma gota muito pequena perto das incontáveis noites sem dormir de tanta perturbação. Eu sou uma pessoa perturbada. Só descobri isso ontem. Essa foi a semana das revelações sórdidas. Vou falar o que sonhei ontem. Mas preciso respirar antes. Acabei de abrir a janela. O caos de São Paulo é seco e nada suave, mas eu preciso sentir um pouco de vento. Eu preciso. Se eu não abrisse a janela, me sentiria sufocado até o final do texto e já me basta o sufoco que é toda essa exposição barata a qual me submeto. Os meus olhos estão pesados mesmo com o vento entrando no quarto. Esse vento cinza de São Paulo. Só quem vive em São Paulo sabe como é o vento aqui. É muito ácido. A vida aqui é muito ácida. Você tem tudo o que quer, é verdade. Você tem drogas, tem balada, tem prostitutas, tem arte, tem cinema. É verdade. Você tem tudo. Mas quando quer pouco, não consegue. Aqui, tudo é muito. É gigante. É megalomaníaco. É enorme. Eu, por exemplo, quero um pouco de ar. E tê-lo nunca me pareceu tão inalcançável.
nhammy 6.
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