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Mar 11

O demônio de Nietzsche

E se, um dia ou uma noite, um demônio viesse introduzir-se na tua solidão e dissesse:

“Esta existência, tal como você a viveu até aqui, será necessário recomeçá-la sem cessar, sem nada de novo, muito antes pelo contrário. A menor dor, o menor prazer, o menor pensamento, o menor suspiro, tudo o que pertence à vida, voltará ainda a repetir-se, tudo o que nela há de indizivelmente grande e de pequeno, tudo voltará a acontecer e voltará a verificar-se na mesma ordem, seguindo a mesma impiedosa sucessão…esta aranha também voltará a aparecer, este lugar entre as árvores, e este instante, e eu também! A eterna ampulheta da vida será invertida sem descanso, e tu, com ela, infinita poeira das poeiras.” Você não se lançaria por terra rangendo os dentes e amaldiçoando este demônio? A menos que você já tenha vivido este instante prodigioso em que lhe responderia: “Ora, você é um Deus, nunca ouvi palavras tão maravilhosas!”

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Mar 10

pontos de vista.

pontos de vista.

Elogio à vida

Cartas inesperadas. Beijos. Sonhos bons. Boas notícias. Presentes em cima da cama. Sorrisos bonitos. Banhos quentes e demorados. Músicas velhas. Chocolate. Manhãs na praia. Matchbox Twenty.

Dias que passam devagar. Gelatina. Aulas boas de História. Banhos frios depois de festas longas. Haikais. Cinema sozinho. Borboletas coloridas. Pôr-do-sol no Skye. Salada. Poemas do Neruda.

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Mar 03

[video]

Mar 02

[video]

Feb 17

Cabeça coração

Tenho esperado menos sorrisos do que antes. Tenho criado menos expectativas nas pessoas. Pela primeira vez em vinte e três anos de existência, tenho sido mais cabeça do que coração. Se vou encontrar minhas amigas e amigos no bar de sempre, não caço ninguém com os olhos o tempo todo. E se a gente sai pra dançar e beber, me preocupo em dançar e não em encontrar o amor da minha vida dentro de um lugar quente, cheio de pessoas bêbadas e drogadas. Cansei de buscar nas pessoas o que está sobrando em mim. Pela primeira vez na minha vida eu não preciso desesperadamente de uma boca nova a cada noite. Não preciso de suor, língua, sexo. Não é que não preciso, não quero.

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“‘Vir a conhecer alguém’ é processo melhor designado por ‘aprender que o outro é irreconhecível’. Quanto mais penetro o outro, tanto mais me perco dentro de seus abismos. Mas tal descrição falsifica a essência do processo. Na realidade, o outro se abre para mim na medida na qual eu me abra para ele. O mistério abismal do outro é revelado pela sucção mútua (‘atração’), que é a essência do diálogo entre amigos. Tal mistério nada tem a ver com o “problema do homem”. Para o antropólogo, o homem é sistema complexo, e por isto problema a ser resolvido. Para amigo, o seu amigo não é problema: é misterioso.” — Bondenlos, Vilém Flusser

Feb 09

things change.

things change.

Feb 08

eu, grande demais pra me esconder nas frestas
eu, e os pobres planos incompartilhados
eu, submergindo de sonhos rasos
eu, e as mentiras, tantas,
eu, e o céu-que-grita, cor de laranja
eu, e a poeira de velhos sapatos esquecidos
eu, e o passado soterrado, as paisagens mortas
eu, e o mistério do eterno recomeço
eu, e o súbito medo, no escuro
eu, e as inconfessidades
eu, e as palavras inventadas
eu, e o cachorro morto na estrada
eu, e o gato no colo
eu, com pena de matar as baratas
eu, barato
eu, e as gavetas reviradas
eu, com as mesmas saudades de sempre sempre sempre.
eu, e o mar
eu, e o meu mundo míope, em blur
eu, e os setenta e cinco centavos de real no bolso
eu, e as cores desbotando
eu, e a alma furta-cor
eu, os raios, os trovões.

no fim, sobramos eu e meu mundo.
e eu nunca estou sozinho.

Feb 03

Before sunrise

Sobre todos os dias inquietos, dias de calor infernal e de batucar em mesas e estantes.

Dias iguais, diferentes, dias de céu azul, dias que só acontecem aqui pro sul, dias de quem não tem tempo pra pensar, dias pra achar desculpas, pra fazer pratos gelados de doce para após o jantar.

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