Eu quero viajar de carro com você. E não precisa ser nos Estados Unidos, mas lá é mais legal porque dá pra comprar um conversível baratinho. E que tipo de viagem sem rumo não acontece dentro de um conversível ou do vagão de carvão de algum trem? Mas é, eu não gostaria de ir no vagão de carvão. Não são mais os anos 50, então os caras não seriam aqueles caras com bronzeados cor de cobre e macacões jeans com o suor condensando na testa. Não convenci? Merda. Er, é. Na verdade precisa ser lá sim.
| — | Bertrand Russell |
Eu disse que não ia escrever, mas cá estou. Disse que não ia deixar, mas vou acabar deixando, quando você deitar do meu lado e não tiver mais ninguém do lado de fora do carro, depois de passar o trinco duas ou três vezes, o que der menos revés. Talvez até mesmo a janela desapareça enquanto estivermos distraídos com alguma inutilidade fascinante, como a quantidade de pêlos do meu braço ou o preto que tem cor de azul do meu carro. Sabia que você ia reparar também, como quando penso que o céu está da cor que você gosta de desenhá-lo ou que posso adivinhar como é seu sorriso.
2h25 a.m., Av. Pacaembu sentido centro.
Oi. Oi? Não foi nada, estou ótima. Estou ótima. Diana, Diana Dias. Nome infame, eu sei, meu pai é desses bêbados. Ahn? 22, Capricórnio. Disse que sou capricórnio. Não, não sei se combina com gêmeos, na verdade eu não costumo combinar com muita coisa não, moço. Não, não gosto muito de falar, nem sei porque estou falando tantas coisas, o quê mais vai querer saber sobre mim? Bota aí: pessoa normal. Tão normal que amanhã você sequer vai se lembrar de mim.


