você também :)
Quem sabe ele não toca…
Estou descalço agora. Tomando água e pensando em metáforas. Completamente leve. Completamente seco. Conto 3 segundos. Um, dois, três. Sapatão-cometa, lua-estrobocópica. Quando te vi pela primeira vez foi como olhar por uma luneta. Agora que percebi. Estou mudo e branco. Tem uma samambaia jogada dentro do meu cérebro. De canto, sozinha. Ela grita.
Lacrei uma caixa de abóbora com flores. E coloquei meus elefantes brancos pra dormirem no escuro. Todos. Quietos, tristes. Quando estou triste penso em duendes albinos homossexuais. Passivos, ativos. Tenho um coração loiro-corrosivo. Explode. Minha alma está em pedaços tão pequenos que nem todas as lentes da galáxia são capazes de aumentá-los. Gosto de profundidade. Gosto de olhar nos olhos e te morder. De madrugada. Quero o seu coração logo.
Lady Gaga é o mais recente ídolo pop da cena internacional. Entenda-se por ídolo pop um indivíduo que encanta as massas com a habilidade artística de que é capaz sendo seu autor ou o mero representante de uma estética inventada por publicitários e estrategistas de produtos culturais. Nesse sentido, todo ídolo pop age como o flautista de Hamelin conduzindo por certo efeito de hipnose uma quantidade sempre impressionante de pessoas. Ele é também um guia estético e moral das massas. A propósito, entenda-se por massa um grupo de indivíduos que, ao se encontrar com outros, perde justamente a individualidade, tornando-se sujeito de sua própria dessubjetivação. Em outras palavras, ele é hipnotizado como se estranhamente desejasse sê-lo. A Indústria Cultural depende desse mecanismo, por meio do qual oferece ao indivíduo a oportunidade de se perder com a sensação de que está ganhando. O ídolo pop é a humana mercadoria que permite o gozo pelo logro que o espectador logrado aplica a si mesmo.
Hoje é um marco. Nunca pensei que algo tão irrisório fosse tornar nesse furacão. Já fazem meses, eu sei. Parece que foi ontem. Hoje. Apesar da pouca lucidez da data, foi incrível. Foi só mais uma noite. Se eu soubesse que seria a noite que mudaria tantas outras da minha vida, talvez teria me arrumado melhor, comprado um tênis novo, caprichado no banho. Talvez eu resolvesse nem sair de casa, sabe como é, solteiro desanimado, assistir um filminho tapado por cobertas quentinhas até o nariz, comendo brigadeiro de colher. Essas coisas. Talvez eu tivesse ido pra outro lugar, buscado outros caminhos, encontrado outras pessoas, desejado outros olhos e sorrisos. A gente nunca sabe quando a vida da gente vai dar esse giro. Não tem como saber onde vamos cair da próxima vez.