‘Vir a conhecer alguém’ é processo melhor designado por ‘aprender que o outro é irreconhecível’. Quanto mais penetro o outro, tanto mais me perco dentro de seus abismos. Mas tal descrição falsifica a essência do processo. Na realidade, o outro se abre para mim na medida na qual eu me abra para ele. O mistério abismal do outro é revelado pela sucção mútua (‘atração’), que é a essência do diálogo entre amigos. Tal mistério nada tem a ver com o “problema do homem”. Para o antropólogo, o homem é sistema complexo, e por isto problema a ser resolvido. Para amigo, o seu amigo não é problema: é misterioso.
Bondenlos, Vilém Flusser

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