Em agosto do ano passado a revista Wired publicou matéria de capa com o título A Web está morta. Vida longa à Internet. Provavelmente, a web ainda vai longe, mas está ameaçada por novas formas de consumir a Internet e, por isso, a provocação da reportagem faz sentido. Talvez em um futuro próximo a World Wide Web se torne uma forma pouco utilizada de acessar a rede que se limitará a alguns usos específicos. Para deixar mais claro, web é aquela parte da Internet codificada em HTML que acessamos por meio de navegadores como Internet Explorer, Firefox e Chrome. A Web criada por Tim Berners Lee há duas décadas foi responsável pela explosão da Internet, mas agora começa a enfrentar a concorrência dos apps, que pertencem a outro ecossistema de produção e ganham força com o crescimento dos celulares inteligentes e tablets. A Internet dos apps é aquela em que acessamos os dados por meio de pequenos aplicativos (programas) baixados de lojas virtuais. Não se trata apenas de mudança técnica. O crescimento dos apps e o declínio da web tem implicações profundas que ainda não conseguimos antecipar. O tempo dirá que participação cada modelo terá na Internet do futuro. O que podemos ver de imediato, porém, são algumas diferenças grandes que a web apresenta em relação à Internet dos apps.

A Internet dos apps tem outros protagonistas. Ganham força os sistemas operacionais para smartphones como iOS e Android; os navegadores de Internet tornam-se secundários; os mecanismos de busca como o Google perdem relevância e as lojas de aplicativos (app stores) tornam-se centrais. Em outras palavras: mudam os intermediários e a forma de ganhar dinheiro com a grande rede. Há quem acredite que a ascensão dos apps vai deixar a Internet amarrada ao interesse econômico e que podemos dar adeus à Internet livre e gratuita dos primeiros tempos; isso porque a Internet dos apps tem um modelo mais promissor ao conteúdo pago.

Outra diferença entre a web e os apps está no fato de que a primeira é mais acessível aos pequenos produtores de conteúdo. Desenvolver apps para várias plataformas e convencer o usuário a baixá-los não é tão simples como colocar um blog no ar. Para quem acredita na liberdade acima de tudo, a Internet dos apps vai parecer restritiva demais. Um bom exemplo dessa restrição é a revista Playboy que é publicada no iPad sem mulher nua porque existe uma diretiva que proíbe belos corpos desnudos em apps da loja virtual da Apple.

A Internet está em transformação. Que bom, sinal que está viva. Daqui algum tempo saudosistas vão suspirar quando lembrarem dos tempos áureos da Web enquanto que os alinhados com a Internet dos apps vão achar que tudo ficou bem melhor. Talvez a Internet esteja perdendo o idealismo dos primeiros tempos para se tornar negócio de gente grande.

Duas linhas na horizontal e uma na vertical: é assim que a maioria dos internautas lê os textos na web, conforme a pesquisa de rastreamento ocular feita pelo Nielsen/Norman group em 2010. Realizado com 232 usuários que visitaram milhares de páginas, o estudo concluiu que o internauta médio movimenta os olhos pelos websites de forma muito mais rápida do que quando folheia um livro.

Ao entrar num site, os internautas primeiro fazem um movimento horizontal, normalmente na parte superior da área de conteúdo do site. Depois, os olhos fazem um segundo movimento na horizontal, abaixo do primeiro movimento. Por último, os olhos descem numa linha vertical, que, por vezes, pode ser mais lenta do que a “olhada” horizontal. Esse movimento foi apelidado de “F”, já que se parece com o desenho da letra. F de fast.

Para fisgar os leitores use dois estratagemas: concentre as informações mais importantes nos dois primeiros parágrafos do texto. Comece os parágrafos e os subtítulos com palavras de impacto. Assim, quando ele estiver fazendo o escaneamento vertical pode se interessar pelo tópico e optar por ler todo o texto.

A cor vermelha do gráfico mostra as partes que foram lidas; a amarela são as olhadinhas; as azuis receberam pouca atenção e a cinza nenhuma.

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